segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

"Solar de Poetas" Colectânea de Poesia II




Há precisamente três anos, a anteceder a apresentação do 1.º volume da Antologia do Solar de Poetas, José Sepúlveda, em “Poetas, Cantai”, deliciava-nos e deixava o mote: 
Juntaram-se poetas no Solar
No alvorecer da nossa Antologia
Cruzaram-se palavras pelo ar
E de repente… nasce a poesia
(…)
Os poetas mantiveram-se juntos, em torno do Solar de Poetas, a que se foram juntando mais… e mais amantes da poesia.
Com enorme abnegação da administração de Solar de Poetas, surge agora o 2.º volume, contando com a participação de cerca de noventa poetisas e poetas, maioritariamente de Portugal, mas também de outras paragens, algumas delas longínquas, mas sempre irmanados na poesia.
[…]
Disse o imortal Olavo Bilac (considerado o “príncipe dos poetas brasileiros”): Há quem me julgue perdido porque ando a ouvir estrelas; mas só quem ama tem ouvidos para ouvi-las e entendê-las.
Que se mantenha sempre vivo, entre nós, o sentir poético, a fraternidade e o amor, para preenchermos inúmeras páginas em branco, contribuirmos para a desejada mudança – a começar pelo próprio – e vivenciarmos o prazer de “ouvir estrelas”.

do prefácio de Jorge Nuno

"O Tempo e o Verso" de José Gabriel Duarte



[…]
José Gabriel Duarte, tem-nos surpreendido sempre pela positiva, quer no carácter humanista – que reconheço e testemunho – quer na assunção da palavra em verso.
[…]

Poeta incisivo, José Gabriel Duarte, exige a si próprio a rotura ante as grilhetas das margens-rio, e navega em linha recta – não fora ele marinheiro – no leito das suas palavras.

do prefácio de Francisco Valverde Arsénio



quarta-feira, 23 de novembro de 2016

"Elos Poéticos" de Misael Alves Martins | Maria da Conceição Ferreira | Maria José dos Santos Leite




[…]
Neste livro de laços, elos na vida, tenho a felicidade de ter por amigo o adolescente de mente, alma e carácter tão ricos, o Misael Alves Martins. Sua mente brilhante, sua paixão pela leitura, escrita e em todo o bom saber cultural, político e social é uma porta aberta para um futuro que certamente vai deliciar e surpreender a sociedade cultural portuguesa e lusófona. Tenho também a alegria e felicidade do Misael ser membro da Associação do Idioma e Culturas em Português-AICEM sendo um membro activo, dedicado, enriquecendo esta associação da qual sou sócio fundadora e Presidente da Direcção.

Maria da Conceição Ferreira outra amiga que participa neste livro, pois sua alma de mulher bem portuguesa está cheia de poesia que merece ser partilhada e entra em “Elos Poéticos” com sua poesia pura, espontânea e rica em sentir e cor. Esta amiga é também membro da AICEM.

À Editora Modocromia obrigada por todo o apoio, todo o carinho com que recebem os autores e toda a qualidade com que nos primam.

A Misael Alves Martins e a Maria da Conceição Ferreira, muito obrigada por me permitirem este fazer acontecer poesia em vossas vidas, e por me darem a honra de vos trazer para o Mundo da poesia e depois ganharem asas para voar. Muitas e muitas felicidades neste mundo da poesia, deliciem-se a escrever cada vez mais e mais poesia. Que todos os anjos de Luz e musas vos inspirem sempre e alimentem vossas mentes e almas poéticas para presentearem o público que espera vossa poesia.


do prefácio de Maria José dos Santos Leite


"Beija-me onde as Flores possam Flutuar" de Eugénio Trigo






o mar lembra-te que às vezes é esse 

piano assumido entre o Mondrian do 

nosso quarto e a flor que fará um dia

parte dos teus lábios




Eugénio Trigo

"Um Pássaro Antigo nos Olhos" de Alice Duarte





Conhecemos sempre, nos nossos círculos de relações, aquelas pessoas que se conformam com a vida. Mas também temos aquelas outras, poucas, que nunca deixam de voar ou, porfiadamente, de o tentar.
Talvez esse voo não nos seja imediatamente óbvio ou gritante, mas a verdade é que, em momentos dessa nossa vida, nos surpreendemos com o quanto elas nos inspiram ou motivam. São, enfim, o súbito lampejo do farol que buscávamos por entre alguma neblina mais cerrada dos dias.

[…]

Para mim, vem já de alguma distância vivida este conhecer a Alice Duarte, enquanto procriadora de um universo tão humano em forma de poemas e que sinto estranhamente muito próximos. Tão próximos esses poemas quanto inteligíveis, nunca sendo, entretanto, fáceis, o que nos transporta ao desafio inevitável da procura do «outro» em cada abordagem de cada poema e, assim, também descobrirmos algo de nós próprios de que estávamos desatentos.

[…]

E se concordarmos que uma das atribuições fundamentais do exercício poético é o despertar emoções, ah, então aí a obra criada, neste domínio, pela Alice é uma torrente impetuosa na invernia em que, de súbito, se transformou o ainda há pouco recatado e remansoso regato.

[…]

Em boa hora, então, a Alice Duarte decidiu recolher a sua obra dispersa e deixá-la ao nosso acesso. Para nosso proveito, como vos será, estou certo, bastante evidente.

E se um livro de poemas pode até ser de leitura aleatória, uma coisa vos confesso da minha passagem pelos poemas da Alice Duarte: no final de cada um, de leitura em alta voz e ponderadas as palavras, não pude deixar de sentir acender-se-me no peito o sol de uma vela, sem som de gemidos…

do prefácio (I) de Jorge Castro



[…]

Para quem gosta de poesia e se atreve ao prazer íntimo de ser capaz de a fixar a ela, poesia, (que por aí anda livremente, sem autorização ou propriedade seja de quem for), num corpo de escrita é sempre um sentimento de enorme gratificação assistir ao nascimento de um novo livro de poemas e à revelação de uma talentosa poetisa.

[…]


Desde logo o título – “Um Pássaro Antigo nos Olhos” – que nos remete para o voo livre da poesia – “Poesia Liberdade Livre” de que fala o poeta António Ramos Rosa – sem outro limite que não seja o olhar da poetisa sobre o mundo e as coisas. E os seus próprios sentimentos.

[…]

Noutro plano, – ou seja, a poesia enquanto lugar de celebração do “corpo mítico” do amor – este primeiro livro de Alice Duarte, “Um pássaro Antigo nos Olhos”, além de ir fundo na percepção da natureza dos sentimentos amorosos é expressão de uma simplicidade e autenticidade surpreendentes.

[…]

Neste e outros poemas a ilustração de uma “escrita no feminino”, na melhor concepção do adjectivo “feminino”, estruturada, sensível e generosa, que dignifica a autora e a admirável essência da vida, que a verdadeira poesia, em última instância, sempre visa.
Parabéns à Autora. E parabéns à Modocromia que revelou mais uma talentosa poetisa – Alice Duarte.

do prefácio (II) de Manuel Veiga

"Nuances Outonais" de Amy Dine



[…] 
Esta obra singulariza-se pelo espírito de humanidade, de família e de confiança pela fé e pela perseverança. O ser humano de fé e a poetisa visionária convergem aqui numa perspectiva espiritual, sendo possível distinguir dois planos: o terreno (que nos agarra humanizando-nos) e o da transcendência (que nos liberta elevando-nos). A obra da Amy revela uma propensão para o transcendente, na forma de encarar a poeticidade. Não são raras as vezes em que os seus poemas aludem a momentos de devoção verdadeiramente contagiantes pela grandeza que encerram […]

Aqui e ali, as palavras ganham força e acidez. É então que a poetisa se insurge contra os falsos amigos, os dissimulados, a guerra feroz inaceitável e ladra de homens.
Para finalizar, e tendo em conta o fascínio pela poesia, estendemos o manto diáfano da nossa sensibilidade, deixando ao leitor o cuidado de levantar uma ponta e deixar-se envolver confiadamente, na procura de um lugar desanuviado e limpo como o olhar da Amy.

do prefácio de Maria Aida Araújo Duarte

"Para Além do Silêncio da Noite" de Vitor Tomás



Li e reli este “para Além do Silêncio da Noite” e, ao contrário do que é habitual na maioria dos “prefácios”, felizmente que não encontrei nenhum destes grandes poetas.
O que eu encontrei foram: os sonhos, os lugares, os medos, as saudades, os sorrisos, as lágrimas, as memórias, os afectos, muita musicalidade, e também encontrei os silêncios gritados nas “palavras em sussurro” e revi-me (confesso) em várias imagens deste livro.
Eu, de poesia, muito pouco percebo, dela atrai-me o ritmo dos versos, que a nós dizedores/declamadores, quase nos põe a cantar, o que é o caso da poesia do Vitor Tomás, tal o ritmo que os seus versos nos oferecem. Depois deixo-me levar pelos afectos e emoções que os poemas nos transmitem. E este livro dá-nos imensas.

do prefácio – Da Razão para um Não Prefácio – de Eduardo Roseira

"Os Colares de Maria Antonieta" de Lara Agreiro e ilustração de Ana Amaro





“A minha querida Lara, muito cedo revelou o seu talento de escritora... A sua criatividade para a escrita manifestou-se no jardim de infância, foi uma honra assistir a este despertar… Parabéns querida Lara, este é apenas o primeiro de muitos livros que vais escrever…! Beijo enorme.”
 A Educadora Felícia

“A Lara pertenceu à mesma turma durante quatro anos, o primeiro ciclo ocorreu entre os anos 2012 e 2016. Evidenciou interesse e motivação por novas aprendizagens, foi sempre uma aluna muito educada e respeitadora. Desde o 1º ano de escolaridade apresentou uma grande aptidão para a escrita, muito no início, as histórias que queria contar (apresentadas em formato de livro) eram expostas sobre a forma de desenho. Com o passar do tempo e à medida que foi desenvolvendo a técnica da leitura e da escrita, as mesmas começaram a aparecer de uma forma diferente, pois, a menina revelava uma grande curiosidade pela escrita que foi sempre muito apoiada pela professora e pelos pais (familiares). Ao escrever as suas histórias verificou-se que a Lara é possuidora de uma grande capacidade inventiva.
No contexto sala de aula, a disciplina de Português foi sempre a sua preferida, nomeadamente a escrita de textos, contudo, transitou ao 5º ano com a menção de Muito Bom nas principais áreas curriculares.”
 A Professora, Carla Martins
A autora, Lara Agreiro, tem 10 anos de idade

"Pontas Soltas" de Manuel Marques Francisco





Em “Pontas Soltas”, Manuel Francisco, através da poesia, regressa às suas origens, aos locais que o viram nascer, assim como aos seus antepassados: Porto Velho e Formigais.

[…]

Nos seus versos populares, focando temas, hábitos, lugares e a sua paixão pela família e pelos amigos, leva-nos ao passado através do seu fascínio pela natureza. O seu dom da descoberta, transporta-nos a um Portugal interior, cheio de beleza e magia, onde o leitor redescobre valores que fazem parte da sua própria identidade.

[…]

do prefácio de Maria Esther

"de Pé Olho a Vida" de Alfredo Paiva Nogueira



[…]

Paiva Nogueira fez a sua formação na escola e na vida: desde as primeiras letras e a vivência em meio rural, passando pelo estudo da cultura clássica, da filosofia, da psicologia, pela vida urbana e pelo desempenho como militar e como psicólogo clínico, tudo contribuiu para uma cultura diversificada e uma personalidade profundamente humanista, manifestando inquietações face a problemas como a fome e a guerra, e buscando respostas sobre questões mais transcendentais como o sentido da vida, a morte, o além.

De tudo isto fala a poesia do autor e fala também muito de amor, num estilo próprio, não enquadrável em qualquer corrente literária, mas expressando-se umas vezes em formas clássicas outras em versos brancos, ora cultivando o lirismo ora adoptando claramente o modernismo, seja em versos de gosto popular seja outros de exigência erudita.
 Na primeira parte, constituída por 15 poemas, sob o tema “A Poesia Acontece?”, o autor diz-nos que a poesia é algo de eticamente bom, por vezes com sentido lúdico, que é uma “dimensão do humano existir” e que o poeta é “um viajante em transcendência”. Depois do belo poema “Os Meus Pardais”, referência ambiental do poeta, há vários outros com sentido optimista e alguns de tipo moralista.
 A segunda parte é sobre o Amor, constituída por 18 poemas em que há lirismo, há sedução, há sensualidade… Por vezes pode parecer que não se passa de abstracções, de amor platónico, mas em outros poemas nota-se a filiação em experiências concretas, como é o caso do delicioso “Jantar Dançante” e também de “Arco-Íris”, que termina com uma simbologia gráfica digna de saborosas anedotas. No último poema deste grupo o termo amar tem significado mais lato do que nos restantes, estando mais próximo de solidariedade e altruísmo, como é natural numa alma sensível e humanista.
 No grupo seguinte, sob o título “Feliz o que Pôde Conhecer as Causas das Coisas” (10 poemas) abordam-se temas e colocam-se interrogações sobre o Além. É o espanto sobre a vida e o que está para além dela. Já Aristóteles dizia que o espanto foi o que levou o homem a filosofar, a colocar perguntas. Uns encontram respostas na religião, outros continuam a procurar, outros desistem… Paiva Nogueira não é de desistir: tal como Schopenauer, que era um pessimista mas também era um filósofo da vontade, ele sabe que há um caminho. Termos e expressões como desvendar, buscar, procurar, angústia, “incerteza a vaguear”, “habitar uma ilusão”, “um olhar de além/rasgou o silêncio” são naturais e prenunciam a escolha do misticismo, que tem expressão no poema “Presença Ímpar” através do verso (repetido) “Já Te conheço e não sei quem és!”
Segue-se um conjunto de 9 poemas, integrados no tema “Todas as Coisas Mudam e Nós Mudamos com Elas”, ora incidindo no lado filosófico – por exemplo em “Meu Drama é Ser”, reflexão de tipo existencialista – ora apelando ao divino, mas num enquadramento de claro domínio da vontade: o primeiro poema afirma “De Pé Olho a Vida” e o último aponta o “Caminho”, fazendo lembrar uma conhecida poesia de José Régio que diz “não vou por aí”.
 “A Morte é uma Lei Universal” (10 poemas), é capítulo sobre uma temática em que toda a gente pensa. Não há vida sem morte. O poeta chega a questionar se a vida será um dom, mas ele próprio parece dar resposta em “No Ocaso da Minha Travessia”. Além de vários outros poemas, há uma brincadeira séria em “Os Carnívoros” e também homenagem a seus falecidos pais.
O livro termina com dois “Outros” poemas intitulados “Lição de Filosofia”, e “Missão de Padre”, que constituem lembrança de um passado em que fez parte importante da sua formação.

Sendo embora a leitura de qualquer texto um acto de adesão e participação individual e a sua interpretação de carácter subjectivo, espero que o leitor concorde comigo em algumas das notas que aqui lhe deixei e sobretudo que goste tanto como eu gostei da poesia de Paiva Nogueira.

do prefácio de Manuel R. Baltasar

"Chá de Tília" de Maria Luz



“ Chá de Tília” não é um livro sobre tisanas, chás quentes ou gelados, tão pouco chás para emagrecer ou adormecer.
Então porquê Chá de Tília?

O nome surgiu porque gosto de chá e uma chávena de chá tomada só ou acompanhada convida a saborear momentos, memórias, intimidades.
E foi bebendo uma chávena de chá remexendo a velha caixa de recordações que encontrei muitas folhas escondidas.
E digo escondidas por terem ficado algum tempo dentro da caixa. Essas folhas são frases que ficaram soltas sem nenhuma conclusão. Foram escritas há tempos atrás e não tiveram qualquer destino.
E no meu “tesouro” descobri que havia alguma coisa de diferente. Era estranho o que estava escrito.
Algo de mim meio desencontrado, meio solto no ar. Viajei assim ao meu encontro e do meu passado.
Esse reencontro comigo fez-me entender a forma como o tinha escrito e porque o tinha escrito.
Se não houvesse esse reencontro continuaria apenas a ver as palavras desencontradas, no entanto verdadeiras.
Hoje não me vejo de todo como nesse tempo. Pude juntar e até mesmo cortar excessos, reformulando algumas poesias e isso deu-me um prazer enorme, sem dúvida maior que no tempo em que as escrevi.
Isso é o que acontece nas nossas vidas, coisas que esquecemos e guardamos. Um dia vamos buscá-las enquanto bebemos uma chávena de chá.

do prefácio de Maria Luz

"Os Cavalos Terapeutas" de Nathalie Durel


 

O mais antigo testemunho sobre a domesticação do 
cavalo remete-nos a 4000 anos a.C., durante séculos, os equinos foram os nossos fiéis parceiros nas guerras, nas viagens, na agricultura e podemos dizer que, sem sombra de dúvida, nos ajudaram a construir o mundo moderno. Atualmente, foram substituídos pelos motores dos nossos veículos e parece que não lhes resta mais para brilhar que o mundo equestre.

E se os equinos tivessem ainda muito para nos dar numa área ainda pouco divulgada? O mundo das terapias, do desenvolvimento pessoal e da conexão entre espécies. Todas as pessoas que estiveram em contacto com cavalos dizem que esse contacto ocasionou nelas uma mudança. 
No entanto ninguém sabe dizer exatamente como isso aconteceu.

Neste Livro Nathalie Durel conta-nos, através da sua jornada existencial com os seus cavalos, de que forma os equinos podem tornar-se poderosos guias para a nossa transformação.

Esta obra leva-nos numa extraordinária viagem pelo mundo dos equinos desde o início dos tempos até aos dias de hoje, tentando explicar numa visão holística todas as formas de intervenção terapêutica existentes com a ajuda desses seres maravilhosos.

Também salienta a dívida que a nossa civilização tem em relação a eles e a importância de mudarmos a nossa maneira de os tratar, que passa pelo respeito da sua verdadeira essência. 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

"Retratos Sem Pele" de Teresa Da Silva




A Pintura de Teresa da Silva é feita de pele e de raízes. Isto é: impõe-se-nos aos olhos suave, translúcida, num primeiro plano visível, percetível, palpável; para depois, deslizando muito para lá da evidência, viajar através de artérias e veias ocultas – só tangíveis à sensibilidade dos que sabem decifrar mapas das estradas de sentimentos e emoções – e nos transportar até ao que de mais iniciático, elementar e terreno há em nós: as raízes.

[…]

A Poesia de Teresa da Silva é a carne que dá Corpo à sua Arte; é o que une isto tudo, raízes e pele; é o que faz dela, afinal, a Artista-Completa que é. Só lendo a sua Poesia, na queda contemplação de um ou vários dos seus quadros, se percebe o caminho, se descobre afinal quem são as criaturas etéreas e de que modo ela própria simultaneamente se projeta e encerra nelas, embora continuamente a libertar-se, ora sob a forma de uma ave, ora assumindo o aspeto cândido de um pequeno ser em gestação.

[…]
do prefácio de António Manuel dos Santos

"Sinfonia de Amores" de Ilda Pinto Almeida




[…]
 Da família ao universo religioso, da sua Lafões natal ao Portugal tão próximo, mas tantas vezes tão distante, dos percalços de uma vida onde a aventura, o prazer e, a vontade de fazer a diferença estão sempre presentes, do dom da descoberta ao fascínio da poesia, esta obra provoca cascatas de sentimentos que levam o leitor a procurar o próximo trecho, num movimento que alia a espiritualidade ao fascínio de continuar a leitura e redescobrir afinal valores que fazem parte da nossa própria identidade.
 […]
 “Sinfonia de Amores” já começa a cunhar, essa marca está qual pedra filosofal “em constante movimento”. Dia a dia manuseio a obra e encontro mais uma marca que me leva ao encontro dessa sintonia linda que se chama “AMOR”.
E a cada verso adiciono mais um, qual vício petulante. Amor de diferentes interpretações, mas toda ela cheia de emoções e onde nem sequer falta a nossa Ferry Street – essa rua “que também é minha por destino”.

Uma obra genuína e sentida, onde os amores se encontram, onde os sentimentos fluem em suspiros, desejos e sensações.
Por fim uma referência ao título. “Sinfonia de Amores” é um título aventuroso, arriscado mas ditoso, porque representa a verdadeira essência de uma obra que nos leva aos corredores da vida, onde o amor encontra paralelo com tantos outros sentimentos, mas que devido a uma boa dose de perseverança e pensamento positivo acaba sempre por prevalecer.
 […]
do prefácio de Ricardo Durães

sábado, 2 de julho de 2016

"Palavras de Cristal" Colectânea de Poesia - Volume IV



Pelo quarto ano consecutivo a colectânea de poesia Palavras de Cristal é publicada, mantendo o propósito que a tem orientado desde o início: criar um espaço de partilha e divulgação da poesia e, como escreveu Dimingos Lobo na introdução ao I volume (2013): Esta colectânea, o que a sua génese prefigura, traz-nos de regresso ao tempo das solidariedades partilhadas, de uma capacidade, que parecia perdida, de juntarmos num mesmo espaço físico, este livro, modos de dizer, testemunhos do fogo, ritmos, sons e imagens diversas. Ou seja, como escreveu Isidore Ducasse: “A poesia deve ser feita por todos”.
Esperamos alcançar com este IV volume o sucesso dos anteriores, levando até aos leitores a poesia de oitenta autores que participam nesta obra. Como escreve António J. Oliveira no prefácio: Estas Palavras de Cristal que segredos não querem guardar são a prova da simbiose perfeita entre o Poeta e a sua ferramenta de trabalho, ou seja, a Poesia na sua vera ascensão da palavra, sem qualquer muro de permeio construído sobre a terra que dilacere vidas, afetos / por desígnios secretos / dos muros só sei dizer / que leve o tempo que levar / o sonho e a força humana / sempre os irão derrubar…

"O Outro Lado do Silêncio" de Gilberto Bandeira



(…) “O OUTRO LADO DO SILÊNCIO”, leva-nos à essência da autêntica simbiose dos sentidos que emolduram passagens de um caminho sinuoso, vencido com luta, de sonhos que correm nas águas do rio e onde as gaivotas se aferram no amanhecer da primavera.

Antonieta Barros

terça-feira, 12 de abril de 2016

"Quando For Grande Quero Ser…" de Vitor Morais, ilustrado por pascalqb



Todas as crianças e adolescentes se interrogam sobre o que serão quando chegarem à idade adulta! As respostas vão mudando ao longo do tempo. Príncipes e princesas, médicos e bombeiros, professores e educadores, veterinários e artistas de rock, atores e cozinheiros, bailarinas e advogados… as possibilidades são muitas, muitas...

quarta-feira, 9 de março de 2016

"Voos Picados" de CarlosBondoso




O livro de poesia de Carlos Bondoso “Voos Picados”, conforme o próprio título indica, eleva as palavras ao expoente máximo de sequências imagéticas num movimento etéreo balizado entre o sofrimento, o amor, o sonho, a injustiça e a esperança. […]

[…] Não se trata de um voo passivo, mas de uma viagem agitada, onde a manifestação linguística “galga a dimensão do pensamento”, impugna, contesta e mescla-se em várias frentes, animadas em planos horizontais e verticais para apreender a verdade escondida “no ventre da noite”, questionar e denunciar “a miséria que apaga a luz da alma”.

[…]
Voos Picados é uma composição poética, um espaço onde a linguagem verbal surge de forma a veicular a ideia de que os obstáculos podem ser transpostos, pois o ambiente não é estagnado, mas antes está em movimento, pois adquire um envolvimento ético, no sentido de prevenir, de denunciar, de depositar a esperança na humanidade. […]

[…] Há uma constante procura de cristalizar sentimentos, relações humanas, vivências individuais e coletivas, uma busca incansável de uma solução para um mundo que parece desfazer-se em cada estrofe e, no entanto, na seguinte, espreita uma luz ténue, de esperança.


Lynda Carvalho


"Dizer Mais Longe" | "Furthermore" de Carlos Feio





Sobre o autor Carlos Francisco Peres Feio

O que interessa

Ganha o 1.º prémio a dizer poesia de Fernando Pessoa, com a idade de 11 anos, em 1955.
Começa a escrever poesia e a publicá-la em jornal, em 1970.
Inicia a publicação na "internet – rede internacional de computadores", em 2000.
Na rádio portuguesa a sua poesia circula desde 2004.
A sua poesia é publicada pela primeira vez em livro em 2006

Este é o seu quarto livro a solo – em antologias, tem dezenas de participações

"Com Alma e Coração" de Manuel Marques Francisco




O poeta incessante na sua criatividade presenteia-nos com uma nova obra na esteira das anteriores mas com o mesmo fulgor e criatividade a que já nos habituou.
[…] reflete sobre a sua vivência atual e acontecimentos relevantes a nível local, nacional e internacional.
Nesta amálgama de temáticas ressalta, sempre, a clareza e fluidez dos versos que se entrelaçam facilmente para construir a mensagem do autor. […]
Ana Pessoa


“Com Alma e Coração” – Título forte mas que tão bem descreve o autor.
[…] A receita para o sucesso é a paixão pela escrita e pelas gentes da terra. É isso que torna os seus trabalhos fascinantes e este livro é só mais uma prova.
Cristina Laudácias Almeida


Conhecer Manuel Francisco, é o que este livro possibilita. Apesar de o conhecer há já alguns anos descobri a sua sensibilidade ao longo deste livro, descobri um homem que ama a terra e os da terra. […]
Mariana Bento



MAR-À-TONA – Antologia poética dos Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa – MAR DE BRUMA





Quando há cinco anos alguns poetas poveiros, de nascimento e por adoção, decidiram juntar-se para dar a conhecer um pouco do que produziam através da sua forma de escrita, a poesia, estávamos longe de imaginar que o grupo se expandisse de tal forma que hoje nos permite editar anualmente uma Antologia onde se reúnem poetas dos mais diversos lugares deste país de Camões, aos quais se juntam outros amantes da escrita vindos de toda a parte.

[…]

Hoje é gratificante ver aqui reunida esta massa humana de poetas e escritores que se vão cada vez mais afirmando no mundo literário à nossa volta, de mãos dadas com muitos outros que, como nós, amam a arte no âmago da sua essência.

Bem hajam por terem participado em mais esta comemoração do Dia Mundial da Poesia, bem hajam por terem vindo.

Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

"Sabes desde quando deixou de haver areais nestas sanefas onde é possível pôr a lua?" de Eugénio Trigo



                                      Não
                                      chegamos a sair do
                                      quarto.
                                      Pensei nisso mais
                                      tarde,
                                      num passeio ao
                                      anoitecer.
                                      O vento, este, julgo
                                      que o
                                      deixei no cio dos
                                      pássaros. E,
                                      daquela
                                      vez, eu não quis
                                      voltar.
                                      Eu não quis voltar
                                      abrir
                                      a janela.
                                      Na
                                      verdade
                                      foi o que
                                      pensei,
                                      foi o
                                      que
                                      ainda
                                      disse,
                                      e a lua
                                      vinha morrer
                                      aos teus olhos, vinha
                                      morrer e depois neste vento
                                      que uma vez mais há-de deslumbrar
                                      o mar e só o mar que tem batido
                                      nas mesmas estrelas, que
                                      tem batido e com os
                                      motores do sol
                                      à tua vol-
                                      ta, Meu
                                      amor

"Os Dias e as Sombras" de António Bica



[…]
Mas voltemos ao excelente escritor António Bica, um gestor agrícola corajoso, um jornalista combativo e interventivo, que tem lutado ao longo de toda a sua vida pelos problemas mais candentes da vida portuguesa, a Agricultura, os Baldios como forma de manter as populações rurais do Interior, o Meio Ambiente, a Florestação, a Educação, o Combate à Fome principalmente na Infância do Mundo Rural, a protecção dos filhos de pais incógnitos e, sobretudo, os autênticos valores que preservam o Homem da Corrupção, do Consumismo, das Prepotências e da Descriminação Racial.
Enfim, tudo tem sido motivo para o meu amigo António Bica alçar corajosamente o seu montante justiceiro e terçar armas em nome do Bem Comum.
Além do mais, sempre revelou uma cultura eclética, motivada pela experiência universitária, agrícola e militar, e pela sua sede de conhecimentos que lhe deu uma peculiar visão planetária do mundo, sabendo libertar-se de dogmas de qualquer espécie e de imposições de qualquer ordem. […]

E a sua prosa clara, rica e não rebuscada […] encanta sinceramente o leitor pois nunca pode ser vista como a mera e crua realidade dos costumes que descreve, mas sim como uma elegia à sã dimensão da vida rural, aos bons usos do campo que, no fundo, constituem uma salutar e acerada crítica aos maus hábitos da província que tanto amamos e ao egoísmo de alguns, que não se importando com as dificuldades alheias, não olham a meios para atingir os seus fins. E o julgamento de usos e costumes e de determinado tipo de personalidades com quem conviveu, são arquétipos correctores, na salvaguarda dos ideais que devem liderar os sentimentos e falas do povo, nunca abafando o romantismo que se desprende das páginas dos seus interessantes e por vezes dramáticos contos.

[…] Em todo este livro, António Bica, criticando violenta e sem piedade os erros do passado, desencadeia o desabrochar natural do sentimento e da cultura popular, expressando firmemente os seus anseios e afirmando os autênticos valores da Ruralidade e da Província Portuguesa.
E é a grande virtude de António Bica. Existe um permanente contrassenso na sua forma de escrever. O mais triste realismo acaba por ser emoldurado pela poesia que escapa naturalmente da sua maneira de ser fria e voluntariosa, mas compreensiva e boa em que o bem é apontado com alma e coração e o mal esconjurado sem dó nem piedade. O leitor vai dar-me razão quando ler as peripécias da cabrinha Jerica, que no seu desejo de mando, não gostava da história do lobo mau, mas que, no Natal, como consequência do seu difícil feitio, serviu de condimento ao assado da travessa da Consoada.

do prefácio de António Moniz Palme

"Marinhais… Terra de Sonhos" de Manuel Marques Francisco



A poesia popular é a alma de um povo que ecoa de forma pura, simples mas bela, que esta obra seja a raiz de uma árvore frondosa onde a poesia popular floresça…
Foi com esta frase que terminámos o prefácio do primeiro livro de Manuel Francisco e na verdade a árvore frutificou num novo hino ao sentimento e à poesia na sua essência popular.
O percurso da obra radica agora no regresso ao passado da vila de Marinhais numa homenagem ao concelho que o viu nascer que se centra agora nesta localidade mas que se alastra a realidades vividas que vão desde a vida do campo, a evocações de juventude e à referência a eventos que abalaram a vida nacional e internacional entrando pelo quotidiano de todos…. 
[…]
Mas há um laço que tudo une: a celebração da amizade um tema recorrente no poeta que vê na amizade e no amor valores supremos como se sente na leitura do poema: “Melhor receita”.
Ao salientar alguns poemas, acima de tudo, pretendemos que o leitor parta à descoberta desta obra onde emergem pedaços da cultura de um povo que se juntam para nos dar em rimas o sentir de um homem e com ele o sentir de uma vida que homenageia no poema “O agricultor” e de um povo que glorifica com arte, singeleza a paixão.


do prefácio de Ana Pessoa

"Ventos do Norte" Antologia poética II, dos poetas poveiros e amigos da Póvoa



Sopram de novo os Ventos do Norte ora mais agrestes ora mais recatados mas sempre agitadores de instantes que não se aquietam no Tempo e que o poema quer registar. Continuam estes ventos a empurrar neblinas e a conduzir marés onde pernoitam os dias cansados.

Sentidos agora noutras paragens mais longínquas onde o olhar perscrutador de silêncios perdeu o alcance, outros autores aderentes dos “Poetas Poveiros” vindos de outros recantos geográficos, desta vez do Brasil e de Itália assinam a obra que hoje o leitor segura nas suas mãos – a Antologia “Ventos do Norte – volume II”
A diversidade temática que vai desde o voo à queda, do sonho ao desalento dá forma e voz aos silêncios retratados nos versos.

A poesia de “Ventos do Norte – volume II” tem muitas faces mais ou menos complexas ou mais ou menos elaboradas, mas dotadas de uma extraordinária riqueza e de uma fascinante capacidade de sedução e fascinação. Os poemas movem-se na multidão das sombras e dos ecos. Energia cósmica, pensamento acústico, loucura efémera, furor visionário ou memória alegórica, estes poemas surgem como grito que anseia a Luz.
O leitor vai querer perder-se nas suas páginas e demorar-se entre as palavras para chegar mais perto dos deslumbramentos utópicos dos seus criadores. Todos os momentos que se registam no poema são intemporais, verdadeiros e intensos. 
“Ventos do Norte” procuram através da palavra, a redescoberta da Língua Portuguesa e da dimensão criativa da linguagem literária. 
“Ventos do Norte” trazem Portugal na voz e a lusofonia no espírito.

Prefácio de Fátima Veloso






segunda-feira, 5 de outubro de 2015

"Pétalas ao Sol" de Ilda Ruivo




[…]
Sendo o poeta um fingidor, muitas vezes os seus sentimentos mais íntimos encontram-se ocultos num emaranhado, no labirinto das palavras, não sendo fácil discernir se é dor a dor que deveras sente ou se o poeta finge inconscientemente.
Quando partimos à descoberta da poesia de um autor, lançamo-nos também na aventura de desventrar o mais íntimo de nós mesmos, penetrando sem qualquer pudor no âmago dos seus/nossos mais íntimos pensamentos.
É por isso, Ilda, que quando leio teus versos navego num mar sem fundo, perscrutando todas as belezas que eles nos podem proporcionar, estejam eles, verso por verso, flutuando à superfície desse lençol imenso à espera de um garapão que os leve de repente ou mergulhados entre corais e tubarões no profundo desse imenso oceano, com cujas maravilhas nos encantamos, navegando por esse mundo desconhecido cheio de mistérios e beleza que habita dentro de ti.
Na verdade, finges o que sentes tão completamente que a tua dor nos aparece como se fosse um manancial de desvarios poéticos onde te devaneias em liberdade plena. 
[…]
Queremos ler-te, queremos sentir-te, queremos viver em ti cada novo sentimento, cada novo e apertado abraço de amizade e de ternura, sentirmo-nos livres nesse espaço imenso que cada dia crias para nós. Pedacinhos de vida que contigo desejamos partilhar.
Deixa-nos saborear o teu banquete, deixa-nos inalar, palavra após palavra, pétala após pétala, a fragância que cada dia se faz brotar do teu coração tão cheio de afeição e poesia.

do prefácio de José Sepúlveda

"O Canto do Cisne" de António Cláudio





[…]
Nunca é tarde para expandir o conhecimento adquirido ao longo da vida como também nunca tarde será para correr atrás dos nossos sonhos. Foi justamente este o lema de vida do nosso autor, um sonho vivente que nunca perdeu entusiasmo, guardado na memorial “gaveta” da soma do seu tempo! E essa gaveta que, definiremos antes como “arca de estórias” faz deste extraordinário escritor, voz apetecível de bizarras ascendências, prosápias sílabas a saborear lentamente pelo leitor. 
[…]
O Canto do Cisne é assim sendo, a primeira obra editada para o grande público, não obstante exista um, apenas um exemplar de um registo de trabalhos do autor impresso há cerca de 30 anos, intitulado “As Musas que me Perdoem”, obra que abarca, confessa o autor, as suas “madurezas da juventude”. Esse amadurecimento todavia, perfaz e faz jus ao conhecimento e cultura amealhados por António Cláudio até aos dias de hoje, lavoura de significativo conteúdo, que na presente obra, é oferecido ao leitor, de palavras suas.

Confiantes na boa vontade e ânimo da intimidade do leitor em desejar envolver-se pela leitura deste livro que nos oferece um ímpar testemunho de sabedoria e mestria de espírito, é tempo de regraciar António Cláudio, nosso nobre irmão e amigo, pela presente dádiva, ter-nos dado a honra de prefaciar a sua ilustre e luzida criação, “O Canto do Cisne”.

do prefácio de Maria Tavares e Fátima Araújo

"Retalhos" de Maria Luz







Ainda vale a pena ler livros.
Destes à antiga, em papel.
Dos que se amarelam com o tempo e se podem sujar e ficam gastos…
Porque os lemos e relemos. Livro é para se desfrutar.
Porque é um livro que fala de sentimentos e de experiências de vida, de quem nele escreve e das vidas que com ele se cruzam. Então que seja vivo.
Que se amarele com os anos que tenha pó e se possa sujar.
Mas que nos dê todos os dias o prazer de existir, de lhe podermos mexer, de o ler e reler.
Por isso obrigado por seres livro.
Obrigado por seres sempre mãe.

Miguel


Do alto dos seus 65 anos com mais ou menos sabedoria realizou um sonho.
“Retalhos” dá-nos a conhecer alguns dos seus sonhos, algumas lágrimas e fraquezas e também muita saudade.
Não sei se será Maria Luz, se será Helena… Lena para os mais chegados, mas tenho a certeza que o digo com orgulho que Helena é simplesmente
a minha mãe.

Raquel

"A Letra E" de Clementina Matos




A casa da Eva ficava dentro de um quintal grande, cheio de carreirinhos, que formavam canteiros diversos, onde cresciam legumes, flores e árvores de frutos. Havia até um belo caramanchel ao fundo, rente à estrada.
Dois portões largos em ferro, que o pai dela mandara pintar e que tinham uma cor muito semelhante à da cor das telhas, estavam quase sempre abertos.
As telhas, que eram garridas, luziam em dias de sol e fulgiam depois de uma chuvadazinha, que costumava acontecer com relativa frequência.
Era esta uma chuva que vinha largada e doida, como um pião de meninos, para lavar tudo.
Tudo menos as cismas de uma menina.
Acontecia isto naquela vila antiga, que tinha o extravagante nome de Pevidém.


[…]

Que direi agora relativamente ao estilo de Clementina Matos? Que dizer da sua maneira de contar?
Somos embalados pelo prazer de ler a sua prosa. E, a certa altura, damos por nós entusiasmados pela leitura. E cheios de curiosidade, pelo desenrolar da história.
Penso que este é o grande sintoma do valor do livro: o prazer e a atenção que despertam no leitor.

do prefácio de Isabel Bruma

ilustração da capa Maria Matos Meireles Graça

"Falcões Mágicos em Salvaterra" de Maria João Lopo de Carvalho com ilustrações de Pedro Semeano e Susana Diniz




A História do Concelho de Salvaterra de Magos volta pelo segundo ano consecutivo a ser inspiração para um conto infantil, desta vez através das palavras da conceituada escritora Maria João Lopo de Carvalho.

Guigas e Henrique viajam entre os primeiros séculos da história da Vila de Salvaterra, a magia oscila entre o passado e o presente, entre túneis e peripécias.
Acredito que esta leitura vai ser tão rápida como o voo de um falcão peregrino, de tão fascinante que é a aventura destes dois amigos.

Desejo a todos uma ótima leitura, divirtam-se a aprender um pouco mais sobre o nosso Património, e aguardem pelos próximos volumes desta magnífica coleção, que certamente fará história na história do nosso Concelho.

O Presidente da Câmara Municipal
Hélder Manuel Esménio

"Vida de Poesia" de Rui Gouveia




Neste momento, em que o mundo me parece “tão cinzento”, numa época de crise socioeconómica e desprovida de valores, foi na escrita do texto poético que encontrei o significado da vida e, creio que esta, é a mais valiosa experiência que possa ofertar ao mundo: a primazia do belo, a poesia como experiência estética.
da introdução de Rui Gouvia


[…]
O Rui é um exemplo a seguir, pela sua perseverança e pelo seu espírito de humildade. Ele é, sem dúvida, um amante da poesia, desde o início da sua adolescência até à fase adulta. Este jovem é a prova que vale a pena promover a educação literária, da qual não pode estar ausente o convívio com a poesia.

[…]
Constata-se que nos poemas de Rui Gouveia sublinha-se a “temperatura” poética, por vezes surpreendente, dos inúmeros poemas produzidos. Tal qualidade resulta, a meu ver, do seu interesse e da sua criatividade.
[…]

do prefácio de Paula Cristina Gomes

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

"Porque Ele Vive" de José Sepúlveda



[…]
São palavras de esperança, profissões de fé que, num processo introspectivo ou em questionamentos ao Alto, encantam, emocionam, confortam, motivam…
[…]
Com os teus poemas, acreditemos ou não nesse Cristo, acreditemos ou não com a mesma dose de fé, nós, os leitores, como eu, vislumbramos e tocamos essa Luz, esse Caminho para as subtilezas da alma de quem acredita que “ELE VIVE” e é o CAMINHO, a VERDADE e a VIDA”.

Conceição Lima

"Vida Perene" de Ana Stoppa





Não há machado que corte a raíz ao pensamento, dizia a velha canção revolucionária cantada por Manuel Freire, numa belíssima letra escrita pelo poeta Carlos de Oliveira e que se cantava quando sopravam os ventos de liberdade num Abril ora distante.
Em boa hora decidiu a escritora, poetisa e ambientalista Ana Stoppa, senhora de talento invejável, lançar aos ventos o sopro do seu pensamento, também um grito revolucionário, para que sopre através do tempo e do espaço e atinja o coração de gente sensível a cujas mãos esta linda colecção de reflexões e pensamentos venha a chegar.
[…]
Convido-vos pois a uma leitura atenta desta coletânea, saborear um a um os seus pensamentos que nos levarão a refletir sobre a vida e a natureza e compartilhar com os amigos o pequeno tesouro que nos é colocado nas mãos.
Que a sua leitura possa contribuir para momentos de prazer e deleite e que com ela o nosso pensamento possa também voar livre como o vento.

José Sepúlveda



sexta-feira, 3 de julho de 2015

"Um Homem Afortunado" de Armando Quintela






Nos finais dos anos cinquenta, Alberto, um jovem de dezoito anos, despede-se dos progenitores, dos amigos e da sua aldeia natal para concretizar o sonho de ser Piloto Aviador na Força Aérea. Transporta uma dor incomensurável que lhe queima o coração e a alma, um pequeno saco a tiracolo, cinquenta escudos que o pai lhe enfiou na algibeira e sonhos. Muitos sonhos. Para além de ser Piloto Aviador, Alberto sonha um dia ganhar o suficiente para ajudar os pais, ter conforto pessoal e monetário e encontrar a mulher certa para ser feliz. Várias são as aventuras e desaventuras deste jovem que percorre parte do país e do mundo em contínuos voos e sobrevoando diversos cantinhos do céu na procura de uma vida melhor. Trata-se de um romance que confronta e descreve várias realidades da vida; a aldeia e a cidade, o aldeão e o citadino, a paz e a guerra, a igualdade entre raças, o amor filial e fraterno e a liberdade de amar sem preconceitos ou tabus.
 por Lynda Carvalho

"Verdades na Sombra daVida" de Joaquim Marques "





"O Som do Violino " de Joaquim Marques






sexta-feira, 12 de junho de 2015

"Tempo de Outros Tempos" de Manuel M. Francisco




 […]
Manuel Francisco representa sua razão de ser, apresenta a sua alma poética inspirada nas pequenas, mas grandes coisas da sua vida – e que tanto tem em comum com a nossa, cuja simplicidade nos mostra a beleza e humildade dos retratos que fez de todas as pessoas maravilhosas que se cruzaram no seu percurso, tal como aconteceu comigo.
[…] 
da introdução de José Sassetti

[…]

Manuel Francisco é um homem habituado a lutar, a transpor fronteiras para sustentar a família e a cultivar a terra com sabedoria, nele ressalta sobretudo a dimensão humana quando pela face lhe rolam as lágrimas ao recordar os amigos que partiram, ou quando o seu sorriso se ilumina ao mencionar a família, ou a recordar os momentos de fraternidade, com os amigos, à volta de uma mesa.
É sobre este homem, sobre a sua vida e o seu sentir que versa esta obra, escrita de forma maravilhosa e revelando um talento extraordinário que se revela em cada verso, em cada rima de forma magistral.
[…] 

A poesia popular é a alma de um povo que ecoa de forma pura, simples mas bela, que esta obra seja a raiz de uma árvore frondosa onde a poesia popular floresça…

[…]

do prefácio de Ana Pessoa

"Desabrochar" de Maria Sousa

BREVEMENTE




[…]
Ler Maria Sousa é conseguir caminhar com pés firmes, saber flutuar em caminhos onde as bermas estão recheadas de flores aromáticas, caminhos esses onde a autora acredita que existam os prazeres de uma vida de sonho e de realidade em palavras. […]

[…]
Estou pleno e satisfeito pelo que se aprende neste interior puro, nesta alma que sossega a capacidade, pois nesta obra tudo que se lê, é sonho, realidade e vontade… É vida.
Cito o amor como a chave num baú repleto de surpresas, só um corpo vivo de amor pelos outros, nos oferece esta beleza, em momentos translúcidos, sinceros e atraentes.
Obrigado Maria Sousa por teres desabrochado para nos aromatizares com esta maravilha, serás pelos cantos de Portugal a mulher, a essência, a palavra força, onde os desejos são vida. Que vivas continuamente igual a ti mesma. A vida aprende contigo…
[…] 
do prefácio de José Alberto Sá



Ler Maria Sousa faz-nos levitar na palavra Amor. Mas ao mesmo tempo que nos fala de amor, realista a poetisa também nos faz lembrar, que no amor também se sente dor. Maria mulher… Maria menina guerreia da vida, a tua poesia
é água que nasce da fonte do teu coração. Parabéns e obrigada por me convidares a deixar aqui no teu filho literário, uma essência de mim, foi uma honra.

Da amiga, com carinho – Florinda Dias

"Textos Barrocos" de Tito Mellão Laraya

[…]

É preciso tomar cuidado com o adjectivo “barrocos” que aparece no título, porque não foi empregado ali com o referencial semântico que a palavra tem no contexto literário, mas com o referencial semântico que ela tem no contexto musicológico. Barroco não é o estilo dos textos, é o contraponto do livro, o arranjo harmónico de textos produzidos em épocas diferentes, e sob inspirações diferentes, como aliás o próprio autor esclarece no texto intitulado “O Impasse”.
[…] 
do prefácio de Luiz Haroldo Gomes de Soutello

sexta-feira, 8 de maio de 2015

"Tram Tours of Lisbon" de Joseph Abdo



Este guia, em língua inglesa, tem especial interesse para os turistas que visitam Lisboa.
Tendo como tema principal os eléctricos da cidade de Lisboa. Nele é feita a descrição, com referências históricas, dos percursos e locais a visitar ao longo das linhas  12, 15, 18, 25 e 28. 


"Um Mundo sem Fim" de Joel Lira




[…]
Como todos os escritores, Joel Arsénio Baptista Lira, vive a sua escrita, partilha-a e dela faz o seu fado mais sentido! Aprofunda realidades e emoções, aquelas contidas nas palavras, mesmo que pareçam banais… pois efetivamente, dentro da banalidade existem as maiores verdades, dentro de palavras sinceras, mesmo insignificâncias, esconde-se a sua pureza de sentimentos, a sua verdade musical, num rodopio de sensações que encantará a veracidade do momento de leitura. E até nós, chegarão palavras antes escondidas, recônditas mais não! Clarividentes e penetrantes. Porque não só escreve o que sente como sente profundamente o que escreve! Seu âmago canta, ora repleto de luminosidade e paixão, ora sufocado de dor e pesar.
[…]

do prefácio de Fátima Araújo

"Os Amantes de Janeiro" de Clementina Matos





Quem quiser ser embalado pelos sentimentos gentis, que animam a beleza das pequenas coisas, leia este livro.
Clementina Rosa Pires de Matos escreve versos cheios de uma luz cândida e pura, fora do tempo e longe do tumulto de uma época que se esquece da emoção simples que nos pôs no mundo. Estes poemas são, por isso, um hino de amor, dedicado ao ciclo da vida, nas suas etapas igualmente honradas, cada qual com a sua graça singela, com a beleza de participar da sinceridade da vida.
[…]
Esta obra de Clementina Matos é, ainda, uma homenagem: à aurora da vida, porque as crianças são a beleza inocente dos começos; à juventude, porque ela é o entusiasmo apaixonado da existência em flor; e aos velhinhos, porque uma vida longa imprimiu neles os traços e as memórias indeléveis da aventura humana. São os mesmos velhos que, depois desse grande ciclo, parecem regressar à pureza dos inícios.
[…]

do prefácio de Maria Matos Meireles Graça

quinta-feira, 19 de março de 2015

"Notícias da Babilónia e Outra Metáforas" Manuel Veiga



(…)
Escreve agora Manuel Veiga com olhar crítico sobre os tempos de crise que o país e o mundo têm vivido desde há décadas e que, nos mais recentes anos, se tem acentuado, mediante a afirmação desenfreada do neoliberalismo económico e a proclamação de uma “cultura planetária” que esmaga todas as singularidades e se impõe em todo o lado, como expressão de uma ideologia de “pensamento único”.

O autor entende a crise racionalmente, mas sente-a emocionalmente. É sobretudo um criador de poesia, da qual não se desembaraça nestes textos. As suas metáforas políticas, quase sempre amargas, constituem, de alguma forma, insurgências de uma zombaria ascentral, com que a arraia-miúda se vingava dos desmandos dos poderosos. Outras vezes, os textos ecoam uma plangência dorida e esperançosa, como gestos solidários que se expõem desamparados ao leitor.
(…)

do prefácio de António Bica e
João Corregedor da Fonseca


"Palavras de Cristal, Volume III"



A ousadia, a coragem e a esperança saíram de mãos dadas neste terceiro volume da Colectânea Palavras de Cristal. Uma vez mais a expressão das emoções toma formas variadas como a música com os seus arranjos de sons criando uma harmonia de conjunto. Fernando Pessoa entendia bem esta ligação.
Dizia ele: “A poesia é a emoção expressa em ritmo através do pensamento, como a música é essa mesma expressão, mas directa, sem o intermédio da ideia”.
do prefácio de Luiza do Oh 

"Simão, Espírito de Campeão" de Vitor Morais com ilustrações de Nelson Henriques





(…) a narrativa de Vitor Morais, de um modo leve mas incisivo, com grande fidelidade na alusão às vivências e aos sentimentos que acompanham quem se vê confrontado com uma abrupta e irreversível alteração no seu quadro referencial e no seu quotidiano, o que incontornavelmente remete para a necessidade de efetuar um processo de ressocialização, no qual a prática desportiva poderá assumir-se como uma plataforma de emersão e de potencialização das capacidades e competências que muitos desconhecem existir e que o desporto poderá desvelar.
(…)
Humberto Santos (Presidente do Comité Paralímpico de Portugal)


(…)
Este livro será, sem dúvida, uma excelente forma de promover a fantástica modalidade do ténis de mesa, a importância e relevância do desporto paralímpico na vida das pessoas e de realçar a tão pertinente inclusão.
Simão será certamente um exemplo a seguir, a nunca desistirmos de sermos felizes por mais contrariedades que nos possam surgir.
Simão encontrou a sua felicidade, não deixe de procurar a sua…

Abílio Cruz (Expert ITTF PTT)



A prática do desporto, os valores que lhe estão associados e a vontade de intervir
socialmente através da ficção infanto-juvenil, voltam a motivar o autor para uma nova incursão na área do conto, a qual, tendo o desporto como fundo, interfere culturalmente quanto ao conceito mais vasto da inclusão, aproveitando como instrumento privilegiado o desporto adaptado, de que o ténis de mesa é exemplo.
(…)

Francisco J. V. Fernandes

"AsCores do Mar" Colectânea de Poesia







(…) que o mar tem cores, ninguém duvida. Não tanto como poeticamente refere um dos poemas desta colectânea “um líquido arco-íris”, mas, poder-se-ia dizer, sem ultrapassar a fronteira razoável dos sentidos e da realidade, que o mar se pode descrever como uma tela pintada com pinceladas de coloridas palavras, no caso presente pelos poemas dos Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa, extensivo a um círculo alargado de simpatizantes e colaboradores. Confirma-se assim, como nos diz Léon Daudet, que “Os poetas são homens (e mulheres) que conservam o seu olhar de meninos (as)”.
(…)

do prefácio de José Maria Carneiro
"O Champanhe dos Teus Olhos 
Aprendido de Véspera"
de Eugénio Trigo




Bate-me na janela
Sempre de
manhã.
Que eu virei
desfazer este javali
de pedra que a lua
alimenta nos teus
véus

Eugénio Trigo


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

"Folhas Soltas" de Albertina Correia




Este é um livro para ler, desfrutar e meditar. Nas suas poesias, a Albertina vai – ou não vai, porque a linguagem tanto descobre como encobre – afastando um pouco o véu da sua alma e franqueando-nos o acesso a alguns recantos, não muitos, num jogo de luz e de sombras, onde ninguém pode dizer que já a conhece, mas que, apesar de tudo, vai sentindo que a conhece um pouco melhor. 
do prefácio de João Saramago

EM PARCERIA COM O SOLAR DE POETAS



"Por Isso Eu Canto" de José Caetano Gomes




O poeta José Caetano Gomes (…) Frágil, sensível, escreve o que é simples e que facilmente penetra na mente de quem o lê. Não pode considerar-se um arquiteto de palavras mas a sua linguagem sóbria e direta é bem transmissora dos gritos sinceros que traduzem aquilo que lhe vai na alma. 
(…) 
Versátil como é, a linguagem simples com que comunica penetra no ínfimo do nosso ser e leva-nos a uma reflexão sobre as coisas do mundo que nos quer transmitir.


do prefácio de José Sepúlveda

EM PARCERIA COM O SOLAR DE POETAS